Informações Gerais sobre a Espécie
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A jarina (Phytelephas macrocarpa) é uma palmeira que pertence a familia Arecacea. Nativa da região equatorial das Américas Central e do Sul, a jarina também conhecida como marfim vegetal pela produção de sementes de consistência e coloração semelhantes ao marfim animal, apresenta estipe (caule) normalmente solitário, rasteiro ou curto, com aproximadamente 2 metros de comprimento e 30cm de diâmetro. É uma palmeira que possui crescimento lento, sendo encontrados indivíduos com mais de 100 anos de idade. |
As folhas (palhas) são utilizadas cobertura de casas por populações locais, a polpa não amadurecida utilizada para alimentação humana e de animais e, as fibras para confecção de cordas. Contudo, a parte mais usada da planta é a semente. As sementes amadurecidas tornam-se duras, brancas e opacas como o marfim, com a vantagem de não ser quebradiça e fácil de ser trabalhada. A semente tem um tegumento (casca) composto por três camadas, sendo a mais interior fortemente fixada à amêndoa e, em geral, preservada pelos artesãos, pois permite desenvolver belos trabalhos.
| A árvore fêmea produz cerca de 6 a 8 cachos de frutos/ano, pesando cerca de 9 a 12 kg, com 8 a 12 sementes cada fruto. A semente tem aproximadamente 2,0 cm de diâmetro, pesando 35 gramas em média. |
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Os frutos amadurecidos caem e soltam as sementes, permitindo a secagem que dura de 4 semanas a 4 meses, dependendo das condições climáticas. A semente com casca tem forma triangulóide. A amêndoa guarda essa morfologia, embora tenda a apresentar um maior arredondamento. O núcleo normalmente é oco. As sementes levam 3 a 4 anos para germinar e as plantas de 7 a 25 anos para início da frutificação. |
O gênero Phytelephas ao que a jarina pertence é constituído por cinco espécies que ocorrem na região Amazônica, no Brasil distribui-se principalmente no sudoeste do estado do Amazonas e nos vales dos rios Purus, Acre, Antimari, Iaco, Caeté, Maracanã e Gregório no estado do Acre. A espécie pode ser encontrada a partir de 150 a 200 m até 1.000m de altitude, em submata inundável, a sombra das árvores altas, nos lugares arejados, em temperatura de 22 a 28º, normalmente encontradas em bosques de sua própria espécie, formando aglomerados homogêneos, também conhecidos por jarinais.
Dos 62 municípios amazonenses das quais dispomos informações sabe-se o maior pólo produtor de jarina encontra-se na mesoregião do Alto Solimões e do rio Gregório, no entanto é necessário realizar levantamentos nos outros municípios para se conhecer o potencial de produção do Estado, promover a adoção de boas práticas de manejo e estruturar e/ou fortalecer a cadeia produtiva.
Marco legal
Marco legalConforme a Instrução Normativa IBAMA n°112 de 21/08/06, não precisa-se de Documento de Origem Florestal -DOF para o transporte da semente de jarina. Além disso, a Instrução Normativa nº5, de 11/12/06 do Ministério do Meio Ambiente (MMA), estabelece que para produtos florestais não madeireiros que não necessite de autorização de transporte (ou DOF), não é obrigatório elaborar Plano de Manejo.
Portanto, as pessoas interessadas em comercializar a semente de jarina, só deverão cadastrar-se no Cadastro Técnico Federal (IBAMA) e informar ao órgão ambiental competente (o IPAAM no caso do Estado do Amazonas), por meio de relatórios anuais, as atividades realizadas, inclusive espécies, produtos e quantidades extraídas, até a edição de regulamentação específica para o seu manejo.
Boas práticas de manejo
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As boas práticas disseminadas no Amazonas estão voltadas principalmente ao processo de beneficiamento e melhoria da qualidade do artesanato que pode ser com sementes, fibras ou palhas. Algumas comunidades tradicionais em outras regiões da Amazônia têm realizado o manejo da jarina, onde a maior preocupação é que a coleta seja feita, respeitando algumas regras ("boas práticas") que permitam uma produção de sementes contínua e duradoura, com retorno econômico e conservação e manutenção do ecossistema. |
Apresentamos essa prática de manejo como sugestão, cujas principais recomendações são:
- Localizar as manchas de ocorrência da espécie no seu terreno (lembramos que essa palmeira forma aglomerados homogêneos na floresta);
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- Evitar a coleta de sementes da safra anterior, as estragadas ou em processo germinativo que estiverem próximos às palmeiras matrizes;
- Como a época de coleta é indefinida, alguns recomendam o período dezembro a janeiro (pico de queda), no entanto sabe-se que em alguns lugares essa periodicidade não se aplica, sendo interessante a recomendação de coleta durante todo o ano, respeitando a dinâmica comportamental da floresta ;
- O ciclo de coleta pode ser anual, no entanto o respeito à capacidade de produção, método e intensidade de coleta são aspectos fundamentais a serem considerados para realização da próxima safra;
- Após a coleta as sementes boas podem ser acondicionadas em sacos plásticos ou em cestos de cipó ou palha, para ser transportado até o local de armazenamento.
Alguns cuidados devem ser tomados durante a coleta para evitar acidentes e danos:
- Evitar o excesso de pessoas e animais de carga na área de manejo;
- Não pisotear as plântulas durante a coleta e transporte das sementes;
- Preferir os indivíduos machos para retirada de palhas e em caso de precisar tirar palha de jarina fêmea, não tirar o olho e deixar no mínimo três palhas.
Os materiais utilizados durante a coleta são:
- para auxiliar a coleta: sacos de ráfia, terçados, rastelo
- para proteção do coletor das sementes: luvas; botas; calça comprida.
Produção e Beneficiamento
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O pré-beneficamento da jarina consiste na secagem da semente ao sol sobre lonas por três meses, ou mesmo em estufa. As sementes secas devem passar por um processo de seleção por tamanho, qualidade e formato, eliminando as defeituosas e degradadas. Após a verificação, a casca que cobre a semente é removida de forma manual, utilizando facas ou canivetes, deixando-as secar ao sol mais uma semana. Entre as várias possibilidades de beneficiamento da jarina estão: a produção de artesanato ou biojóias, de peças de decoração ou botões. |
O beneficiamento da jarina para uso em joalheria, na confecção de colares, pulseiras e brincos as sementes são furadas e pode utilizadas as semente inteiras, cortadas ao meio (em banda), e também formatadas em fatias, cascalho branco, cascalho rústico e canutilhos ou tubinhos, e todas essas formas tingidas. A semente de jarina pode ser combinada com outras sementes como açaí, paxiúba e paxiubinha, madeiras e também com prata e ouro. Para o, normalmente as sementes são furadas e também são formatadas em fatias, cascalho e canutilhos ou tubinhos.
A amêndoa de jarina pode ser modificada em sua coloração, através de:
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Na produção de esculturas pode-se dar: em peças inteiras, em marrom ou totalmente brancas, e ainda em peças com encaixes de várias sementes. |
Na fabricação de botões é necessário: fazer fatias e cortá-las em diferentes tamanhos de acordo com o tamanho das sementes.
A definição de como vai se dar o beneficiamento depende do volume de sementes que se pretende trabalhar. Existe o sistema tradicional que utiliza máquinas de baixo rendimento, mas pode-se buscar sistemas alternativos com máquinas de maior capacidade de produção.
Os produtos a base de jarina tem prazo de vida. As sementes tem vida de 5 a 10 anos, pois podem sofrer ataque de microorganismos, dependendo muito dos cuidados adotados pelo consumidor.
Comercialização
Comercialização No início do século XX, a jarina era empregada pelas indústrias de botões e suveniers, que trabalhavam exclusivamente com jarina. Foi substituída pelo plástico logo após seu surgimento. No Brasil a última fábrica de botões fechou nos anos 70.
Nos anos 80, a jarina começou a ressurgir. Hoje, a semente é empregada na confecção de ornamentos, botões, peças de joalheira, teclas de piano, pequenas estatuetas e vários souvenirs. Transformada em jóias, está ganhando fama com as lojas de luxo, oferecendo relógios, brincos, braceletes e colares feitos de marfim-vegetal. As sobras da jarina são transformadas em um pó, que é exportado do Equador para os Estados Unidos e Japão, após o corte do material para a produção de botões.
Com os riscos de extinção de animais fornecedores de marfim, a jarina apresenta-se como alternativa ao marfim verdadeiro. A crescente demanda por produtos naturais tem despertado interesse em muitas empresas que comercializam produtos das florestas tropicais, especialmente aqueles que podem consolidar o "mercado verde".
A cadeia produtiva é grande e a agregação de valor é enorme, pois uma semente coletada sai no campo ao custo de R$ 0,02 e um pequeno chaveiro entalhado em uma única semente é comercializado, em Rio Branco, a R$ 17,00, ou seja, um fator de agregação de valor superior a 500 vezes.
Experiências existentes
Experiências existentes Dentre as organizações indígenas que trabalham com a produção de artesanato com sementes, dentre elas a jarina estão:
- EWARE-ACIU - Associação dos Artesãos da Comunidade Indígena Umariaçu
Município : Tabatinga - AMATU - Associação de Mulheres Artesãs ticuna umatu - bom caminho
Município: Benjamin Constant - AMITI - Associação das Mulheres Indígena Ticuna
Município: Benjamin Constant - MEMATU - Associação de Artesãos da Comunidade Cordeirinho
Município: Benjamin Constant - AITCA - Associação dos Artesãos Indígenas Ticuna da Comunidade Campo Alegre
Município: São Paulo de Olivença - Associação dos Artesãos da Comunidade Indígena Nova Itália
Município: Amaturá - AWAS - Associação dos WITOTO do Alto Solimões
Município: Amaturá - CAITI - Centro de Artesanato Indígena Ticuna Içaiense
Município: Santo Antônio do Iça
O contato dessas associações é feito principalmente através da FEPI:
Endereço: Rua Bernardo Ramos, 179, Centro, Manaus-AM CEP: 69.005-310
Tel/Fax: (92) 3622-1002/3622-1767
E-mail: taruba@ig.com.br / fepiam@ig.com.br
Programa Estadual
Programa Estadual Atendendo as diretrizes do Programa Zona Franca Verde, surgiu o Programa Amazonas Florestal, criado pelo Governo Estadual, com objetivo de reunir dados técnicos e gerenciais relacionados à fauna e flora da região, impulsionar as potencialidades das comunidades do interior do Estado e os produtores, empreendedores, grupos tradicionais e indígenas do Amazonas. Este programa pretende diminuir o grau de desinformação acerca da temática ambiental e da legislação que a regulamenta, buscando oferecer maior estruturação e organização da produção, tendo em vista a geração de trabalho, renda, redução da pobreza e elevação do índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas comunidades do interior do Estado. A principal diretriz do programa é a superação dos gargalos na organização, gestão e capacidade técnica dos processos produtivos.
A Fundação Estadual dos Povos Indígenas (FEPI) vem executando o Programa Amazonas Indígena tendo como objetivo preencher o vácuo existente na Política Indigenista, atuando em três eixos: Etnodesenvolvimento, Fortalecimento das Organizações Indígenas e Valorização dos Direitos e Diversidade Cultural. O principal objetivo do programa é a promoção da qualidade de vida, geração de emprego e renda por meio de um sistema próprio de produção agroflorestal, agrícola e manejo dos recursos naturais, bem como pela utilização de novas tecnologias aliadas aos conhecimentos tradicionais.
Dentre os vários programas que a FEPI vem executando está o Programa de Valorização e Organização do Artesanato, tomando como base os dados levantados pela fundação em 2004, das matérias-primas utilizadas na confecção de artesanato que são de 43% tucum, 15% madeira, 15% sementes, 14% arumã e 13% outros (penas, dentes e cipós).
As ações básicas do programa são:
- capacitação dos artesãos indígenas do Estado por meio de projetos, cursos e oficinas;
- criação de Pólos de Produção e de Comercialização;
- apoio a participação dos artesãos indígenas em várias feiras Estaduais, Nacionais e Internacionais.
A atuação do programa se deu na mesoregião do alto-solimões que compreende nove municípios, que são : Atalaia do Norte, Amaturá, Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Içá, Jutaí, Fonte Boa e Tonantins.
Como principais resultados pode-se destacar:
- O beneficiamento direto de 1.739 artesãos indígenas com o projeto de apoio a Comercialização do Artesanato Indígena do Alto Solimões, em parceria com o Ministério da Integração Nacional ;
- O beneficiamento de cerca de 5 mil artesãos indígenas com o apoio a participação dos em várias feiras Estaduais, Nacionais e Internacionais ; e,
- beneficiar diretamente 350 artesãos com o projeto de Fortalecimento do Arranjo Produtivo Artesanal do Vale do Javari, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA/CAIXA.
Na execução do Programa Amazonas Indígena a FEPI conta com as parcerias firmadas com as Secretarias de Estado, Ministérios, Organizações não-governamentais e com apoio das Organizações Indígenas.
Bibliografia
Bibliografia Barfod, A.S et al: The Vegetable Ivory Industry: Surviving and Doing Well in Ecuador, in: Economic Botany, 44 (3), 1990, pp.293-300.
Lima da Costa, Marcondes et al : Jarina: o marfim das biojóias da Amazônia, Rev. Esc. Minas, vol.59 n°4, Ouro Preto - Oct/Dec 2006, pp.367-371, 271Ko.
ProNaturaleza y Amazon Ivory EIRL: Plan de Manejo de Phytelephas macrocarpa “Yarina” en el Área de Influencia de la Comunidad de Veinte de Enero, Cuenca Yanayacu Pucate, Reserva Nacional Pacaya Samiria, Comité de Manejo de Palmeras de Veinte de Enero (COMAPA - Veinte de Enero), 2005, 61p., 3.39Mo.
Rengifo G. e Sanabria Vizcarra, P: Manejo y Transformación de yarina o marfil vegetal (Phytelephas macrocarpa), Lima: ITDG LA, 2001, 20p., ilus.(manual).
Ruiz, Rocio C. et al: Manual de Procedimentos Técnicos para o Manejo Comunitário de Jarina, Rio Branco: CTA, 2005 (no prelo).
Ruiz, Rocio C. et al: Manual de Procedimentos Técnicos para confecção de Escultura de Jarina, Rio Branco: CTA, 2005 (no prelo).
Spittler Patrick: Manejo de la yarina (Phytelephas macrocarpa) en el vivero, en plantaciones y en sistemas agroforestales, Programa “Manejo de los territorios de las Comunidades Nativas Aguaruna del Alto Mayo”, PEAM/KfW/GTZ/DED, Moyobamba, 2002, 12 p., 583Ko.
Velásquez Runk J.: Productivity and sustainability of a vegetable ivory palm (Phytelephas aequatorialis, arecaceae) under three management regimes in Northwestern Ecuador, Economic Botany, Volume 52, Number 2 / avril 1998, pp.162-182, 1.754Ko.
Vidal Gerusa e Boufleuer Neusa: Sementes na vida dos Povos da Floresta, Governo do Acre, Biblioteca da Floresta Marina Silva, 12p., 1.336Ko











