Informações Gerais sobre a Espécie
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A seringueira (Hevea brasiliensis) da família Euphorbiaceae é uma árvore originária da região amazônica, encontrada em florestas ombrófilas de terra firme. Trata-se de uma árvore de grande porte, que pode atingir até 40 m de altura. Apresenta fuste retilíneo, cilíndrico sem sapopemas, com casca pouco rugosa. O alburno da árvore (parte mais nova do lenho) produz um líquido leitoso (látex). Esta espécie (Hevea brasiliensis) é a que produz mais látex, portanto considerada a mais produtiva, se apresentando em maior densidade nas formações florestais. A extração do látex da seringueira é feita por "sangria", ou seja, corta-se a casca da árvore até os tecidos que contêm o látex. Com o látex é produzido a borracha natural, produto largamente utilizado na fabricação de pneumáticos que engloba produtos como pneus e câmaras de ar. Pneus dos aviões, por exemplo, são feitos com 100% da matéria-prima natural; no setor de artefatos leves de borracha como materiais esportivos, elétricos, calçados, tubos cirúrgicos, preservativos, e em grande número de manufaturados. |
Os principais Estados produtores de borracha são Acre, Amazonas, Pará e Rondônia. No Estado do Amazonas as regiões de maior produção encontram-se no Purus (Boca do Acre, Canutama, Lábrea, Pauini, Tapauá Novo Aripuanã, Manicoré, Borba e Nova Olinda), no Juruá (Carauari, Itamarati, Eirunepé, Envira, Ipixuna e Juruá) e no Médio Amazonas (Itacotiara, Manacupuru, Manaus, Maués, Parintins).
Marco legal
Marco legalA seringueira é uma espécie imune do abate, conforme Decreto Federal n° 1.282 de 10/10/94.
A Lei nº 9.479 de 12 agosto de 1997 cria uma subvenção econômica à borracha natural a ser repassada às usinas de beneficiamento para que os preços da borracha nacional pudessem ser remunerados nos mesmos preços da borracha pagos no mercado internacional. Além de repassar ao Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento (MAPA) o controle e a gestão da heveicultura, mantendo o extrativismo dos seringais nativos da Amazônia sob a gestão do MMA e do IBAMA. Essa Lei foi regulamentada pelo Decreto n° 2.348 de 13 de outubro de 1997. A subvenção federal está suspensa desde 2002.
No Amazonas, a Lei nº 2.611 de 04 de julho de 2000, regulamentada pelo Decreto 23.636 de 11 de agosto de 2003, autoriza a concessão de subvenção econômica aos produtores extrativistas com o objetivo de incentivar a produção agroextrativista, abrangendo inicialmente a exploração e a produção de borracha natural bruta.
Para promover o desenvolvimento no interior do Estado do Amazonas e a valorização econômica dos produtos florestais como estratégia de melhorar a qualidade de vida da população extrativista, foi aprovado o Decreto n°25.275 de 11 de agosto de 2005, que torna legal a isenção, ou dispensa, do pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços - ICMS. Este instrumento foi celebrado no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) e adicionado às leis tributárias do Estado do Amazonas como. Este Decreto foi elaborado pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS, considerando o disposto no Convênio ICMS 58/05, de 1º de julho de 2005 que autoriza os Estados do Amapá e Amazonas a conceder isenção do ICMS nas operações internas com produtos nativos de origem vegetal. Os produtos de Látex e resinas isentos são: Cernambi Virgem Prensado - CVP, Folha Semi-artefato -FSA, Folha de Defumação Líquida - FDL), Couro vegetal e Breu
Quanto aos parâmetros de classificação e comercialização da borracha são normatizado pela Norma ABNT-EB-1866.
Boas práticas de manejo
Boas práticas de manejoO método utilizado na coleta do látex de seringa nativa compreende duas etapas:
Preparação da coleta:
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Processo de coleta:
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Uma colheita diária oscila entre 10 e 20 litros para uma estrada de mais ou menos 120 árvores. O látex líquido coletado, no balde, é transportado até a casa do seringueiro onde é feita uma operação de pré-beneficiamento, que consiste em colocar esse látex em uma caixa de madeira ou em uma bandeja plástica. Após isso é adicionado o ácido para que ocorra a coagulação.
Atenção!
- Cortar somente as seringueiras que possuem mais de 70 cm de circunferência de rodo, a uma altura de 1,3 m, e uma espessura da casca igual ou acima de 6 mm;
- Cortar a fita mais larga não aumenta a produção, causa um rápido consumo do painel e não dá tempo para renovação da casca para futuras sangrias, diminuindo a vida útil das árvores;
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- Os cortes para a retirada do látex não podem ultrapassar 50% do CAP (Circunferência a Altura do Peito) da árvore para que continue a ser produtiva, sem ficar suscetível a fungos e doenças;
- A sangria é geralmente realizada nos meses de julho até novembro, e cada ano é feito de um lado diferente para dar mais de um ano de descanso para sua recuperação e cicatrização total da casca;
- Para evitar perdas na produção ou na qualidade do produto e contaminação das árvores por doenças, deve-se: retirar da tigela todas as impurezas como folhas, galhos ou mesmo água e, manter sempre limpos todos os equipamentos: de sangria, a tigela, e o equipamento de armazenamento do coágulo.
Produção e Beneficiamento
Produção e Beneficiamento As populações da Amazônia produziam borracha deixando o látex secar por evaporação a temperatura ambiente. O látex utilizado era extraído da árvore do caucho (Castilloa ulei) e não da seringueira e os artigos fabricados quando expostos a baixas temperaturas tornavam-se duros e a altas temperaturas, pegajosos. A partir dos séculos XVIII e XIX, a borracha começou a ser estudada e apontada como importante matéria-prima para uso industrial. Para facilitar o seu transporte e armazenagem, a borracha tinha que estar sólida. Por tanto foi adotado o látex da seringueira, que coagula mais rapidamente, e desenvolvidos vários processos de coagulação do látex.
- Borrachas brutas
- Pélas de borracha
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- coagulação com exposição do látex à fumaça (defumação) o que garantia a conservação da qualidade do produto. Processo árduo para o seringueiro, e apresentava riscos à saúde;
- formação de bolas de cerca de 80 kg.
- Cernambi Virgem Prensado - CVP
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- química, com uso do látex da caxinguba -Ficus anthelmintica Mart.;
- produção de pranchas em cochos de madeira.
- Placa bruta defumada - PBD
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- coagulação do látex com o ácido acético;
- formação de pequenas placas de borracha;
- defumação das placas num defumador, sem a presença do seringueiro. Para assegurar a qualidade da borracha sem riscos à saúde dos seringueiros.
- Borrachas processadas em mini-usinas
- Folha Clara Brasileira - FCB e a Folha Fumada Brasileira - FFB
- Folha de Defumação Líquida - FDL
- Borrachas processadas em usinas
- lavagem e laminação em calandras lavadoras e laminadoras tornando-a granulada e porosa;
- secagem em estufa de ar quente para a secagem;
- prensagem em fardos de 25 quilos;
- embalagem.
Processamento da borracha coagulada
Processamento da borracha coaguladaAs borrachas brutas, por terem teores de umidade que oscilam entre 18% e 25% (pélas, PBD), entre 30% e 40% (CVP, pranchas) e 45% e 55% (coágulos de caneca), precisam ser beneficiadas em usinas de beneficiamento para serem utilizados como matéria-prima pela indústria de artefatos.
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- coagulação com o ácido acético;
- processamento (prensagem) em calandras manuais;
- secagem em pequenas estufas.
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- mistura do látex a água e corantes; - coagulação com o uso de ácido pirolenhoso, subproduto da carbonização da madeira, que já incorpora ácidos e alcatrões; - prensagem em calandras, que lembra as máquinas de fazer massa caseira. "Espichada", a borracha ganha formato de lâminas; - secagem em varais ao ar livre, em temperatura ambiente, dispensando a fase de defumação. Isso livra o seringueiro da exposição excessiva à fumaça e melhora sua qualidade de vida; - as folhas de borracha são prensadas em blocos de 15 a 20 quilos e a produção é entregue às associações de produtores, que vendem para a indústria, evitando intermediários. |
Esse sistema tem várias vantagens:
- Facilita tanto o empacotamento para as indústrias como a produção de artefatos pelos próprios seringueiros;
- Livra a borracha de fungos;
- Permite que o produtor comercialize por um preço melhor. O quilo de borracha prensada sobe de R$ 1,80 para R$ 4,00 o quilo quando transformada em FDL.
Quatro tipos de borracha são produzidos pela usina: 1) Granulado Escuro Brasileiro - GEB; 2) Granulado Claro Brasileiro - GCB; 3) Crepe Escuro Brasileiro - CEB; 4) Crepe Claro Brasileiro - CCB, e passam pelo seguinte processo:
Processamento do látex nativo para a fabricação de preservativos
Processamento do látex nativo para a fabricação de preservativosA fabricação de preservativos, pela indústria, utiliza diretamente o látex nativo. O látex colhido pelo seringueiro é conservado com amônia, embalado em recipientes hermeticamente fechados e transportado para ser processado na indústria. O maior problema nesse processo é que o látex deve ser muito mais puro, o que dificulta a sua coleta, conservação e transporte.
Fabricação de encauchados de vegetais
Fabricação de encauchados de vegetaisEsse processo consiste na vulcanização da borracha ainda na fase líquida (látex), utilizando a tecnologia conhecida como pré-vulcanização.
O seringueiro adiciona uma pequena dosagem de agentes vulcanizantes ao látex colhido diariamente aquecendo, embalando e armazenando para uso gradativo, sem riscos de degradação, de contaminação do meio ambiente ou de riscos à sua saúde.
Essa mistura é levada ao fogo, com uma temperatura controlada e sob constante agitação.
Essa vulcanização permite melhorar a qualidade da borracha, assegurando maior durabilidade e resistência a intempéries.
Este látex pré-vulcanizado, aplicado com as mãos ou com esponja sobre um tecido, preferentemente de algodão, gera um tecido emborrachado, que ficou conhecido como "couro" ecológico. Aplicado em camadas, ele vai secando naturalmente na temperatura ambiente. A espessura é determinada em função do produto final desejado.
Pode-se misturar o látex nativo prévulcanizado com cargas (minerais - caulim, sílica, nego de fumo , ou vegetais - farinha de madeira, pó de serra) e pigmentos (produzidos a partir de cascas de árvores - jatobá, mogno, cedro, frutos - jenipapo, sementes - urucum, ou folhas - pau-brasil).
O composto é desidratado na temperatura ambiente em moldes de alumínio ou de madeira, no formato de lâminas de borracha (1,20 m X 2,00 m) ou do produto desejado (jogos americanos, porta-lápis, bolsa para embalagem, bolas lúdicas, telhas para cobertura).
Comercialização
Comercialização No início do século XX, o Brasil detinha o monopólio da produção mundial de borracha natural. A importância econômica e industrial da borracha natural fazia da seringueira uma árvore estratégica. Isso motivou os ingleses a levaram as sementes do Brasil e plantarem em escala comercial nas suas colônias na Ásia. Por outro lado o fungo causador do mal-das-folhas (Microcyclus ulei) que é uma das doenças mais comuns dos seringais não ocorreu na Ásia, sendo esses os principais fatores que levaram ao sucesso a produção de borracha na Ásia. O sistema de produção brasileiro era o extrativismo e os seringais na Amazônia são susceptíveis ao mal-das-folhas.
A demanda nacional de borracha é estimada em 245 mil toneladas. Os produtores dão conta de apenas 96 mil toneladas, sendo que São Paulo responde por 50% do total, com 2,5 mil produtores e 50 mil hectares plantados. O estado tem um clima que favorece o cultivo, com uma estação fria e marcadamente seca, o que impede a vida de um fungo chamado Microcyclus ulei, causador da "mal das folhas", doença que atinge as seringueiras amazônicas. Hoje o Brasil, só responde por 1%, e não consegue sequer suprir as necessidades da indústria instalada no País. E o pouco que é produzido vem do Sudeste, e não do Norte como muita gente ainda pode imaginar. O Amazonas e o Acre são os maiores produtores de borracha natural coletada em seringais nativos, com 51,9% e 35,7% do total, respectivamente, segundo dados do IBGE (2006).
As borrachas brutas, produzidas através do sistema produtivo convencional, têm preços baixos (R$ 1,80, incluido o subsídio) que, somados à baixa produtividade dos seringais nativos, são insuficientes para formar uma renda mínima básica para o extrativista. Para se produzir um Kg de borracha bruta são necessários 2 litros de látex de campo. Os seringueiros estão geralmente longe dos mercados, e dependem de uma cadeia de intermediários e de políticas subvencionistas.
A FDL, como matéria-prima, é comercializada por R$ 4,50/kg e como artefato, na forma de folhas de borracha vulcanizadas, por R$ 6,00/kg. Para se produzir um Kg de borracha seca, são necessários em média 3 litros de látex de campo.
Recentemente, surgiram algumas iniciativas diferenciadas para o uso do látex nativo, estruturadas de forma diferente e que possibilitam a fabricação de novos produtos, mais elaborados na base produtiva. Estes novos tipos de borracha extrativa não estão competindo diretamente com a borracha heveícola, que tem em suas mãos o grande mercado, o da indústria pneumática e de artefatos, mas onde os preços são oligopolizados. São produtos diferenciados direcionados para nichos específicos de mercado. Dentre esses, estão os novos encauchados de vegetais, cuja produção se enquadra em princípios baseados na produtividade eco-tecnológica e social.
Experiências existentes
Experiências existentes - AAPPI - Associação dos Agricultores e pescadores profissionais do Município de itamarati
Município: Itamarati
Contato: Gentil
Tel.: (97) 3484-1225 - AMANP - Associação dos Moradores Agroextrativistas da Comunidade de Novos Prazeres
Município: Manicoré
Contato: Socorro
Tel.: (97) 9614-7726 - APAC.J.G - Associação dos Produtores Agroextrativistas da Comunidade José Gonçalvez
Município: Lábrea
Contato: David Brito
Tel.: (97) 3331-1429 - APAS - Associação dos Produtores de Artesanato e Seringa
Município: Boca do Acre e Pauini
Contato: Wilson Manzoni ME
Rua Getulio Vargas
Centro Boca do Acre - AM, Caixa Postal 33, CEP: 69850-000
Telefone / Fax: 0xx97 3453 5712
Email: florestaempe@hotmail.com
www.amazonlink.org/seringueira/index.html - APROCACIA - Associação dos produtores e Criadores do Paraná de Serpa
Município: Itacoatiara
Contato: Adolfo
Tel.: (92) 3512 - 9156-4645 - APRUEX - Associação de Produtores Extrativistas
Município: Borba
Contato: Antônio Borba/ Lourival Barros
Tel.: (92) 3512-1594 - ASMOIGA - Associação dos Moradores das Comunidades de Igarapezinho
Município: Manicoré
Contato: Raimundo do Carmo e João Bosco
Tel.: (97) 9617-0847 - ASPAC - Associação dos Produtores Agroextrativistas de Canutama
Município: Canutama
Contato: Batista
Tel.: (97) 3334-1126/ (92) 3334-1432 - ASPACS - Associação dos Moradores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha do Município de Lábrea - ASPACS
Município: Manicoré
Contato: Astrogildo
Tel.: (97) 3331-1453 - ASPROC - Associação dos Produtores Rurais de Carauari
Município: Carauari
Contato: Elson
Tel.: (97) 3491-1023 - ASPROJU - Associação dos Produtores de Jutaí
Município: Jutaí
Contato: Leopoldo/Assis
Tel.: (97) 3425-1688 - ASSEPAC - Associação dos Seringueiros e Extrativistas dos Vales do Purus e Acre
Município: Boca do Acre
Contato: Dilermano
Tel.: (97) 3543 - 5412 - Associação dos Extratores e Moveleiros do Vale do Juruá
Município: Eirunepé
Contato: Djaci ou Haroldo - Associação dos Moradores Agroextrativistas da Comunidade de Bom Suspiro
Município: Manicoré
Contato: Marcelo Leão e João Bosco
Tel.: (97) 9617-0847 - Associação dos Moradores Agroextrativistas da Comunidade da Terra Preta e São José do Lago do Atininga
Município: Manicoré
Contato: Luiz Carlos/ João Bosco
Tel.: (97) 9617-0847 - ATAPAEA - Associação dos Trabalhadores do Projeto de Assentamento agroextrativista Antimary
Município: Boca do Acre
Contato: Mira ou Barroso
Tel.: (97) - ATRAMP - Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Município de Pauini
Município: Pauini
Contato: Jeová Brígido Roberto
Tel.: (97) 3458-1109/ 3458-1133 - Cooperativa Mista dos Seringueiros da Calha do Rio Purus
Município: Tapauá
Contato: Adriano
Programa Estadual
Programa Estadual Atendendo as diretrizes do Programa Zona Franca Verde, surgiu o Programa Amazonas Florestal, criado pelo Governo Estadual, com objetivo de reunir dados técnicos e gerenciais relacionados à fauna e flora da região, impulsionar as potencialidades das comunidades do interior do Estado e os produtores, empreendedores, grupos tradicionais e indígenas do Amazonas. Este programa pretende diminuir o grau de desinformação acerca da temática ambiental e da legislação que a regulamenta, buscando oferecer maior estruturação e organização da produção, tendo em vista a geração de trabalho, renda, redução da pobreza e elevação do índice de desenvolvimento Humano (IDH) nas comunidades do interior do Estado. A principal diretriz do programa é a superação dos gargalos na organização, gestão e capacidade técnica dos processos produtivos.
Nesse sentido, a Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Amazonas (AFLORAM), criada em 2003 executou o Programa de Subvenção Econômica da Borracha Natural Bruta, o primeiro programa estadual de valorização dos recursos florestais do Amazonas que beneficia diretamente as famílias extrativistas. O objetivo deste programa é de incentivar, revitalizar e potencializar a produção e comercialização de borracha natural no Estado do Amazonas. As ações da AFLORAM estavam voltados ao:
- fomento a organização das associações e cooperativas, com vistas a celebração dos convênios necessários ao pagamento da subvenção;
- distribuição de material para extração do látex (kits sangria);
- capacitação para o manejo do seringal e monitoramento da produção;
- captação de recursos para melhorar a infra-estrutura da cadeia produtiva da borracha.
Os recursos utilizados no pagamento da subvenção são provenientes do Governo do Estado. Em 2003 a AFLORAM, assumiu a subvenção econômica da borracha elevando o valor pago pelo estado aos seringueiros de R$0,60 para R$ 0,70 por quilograma de látex produzido, o que possibilitou o crescimento da produção e a retomada de antigas usinas que haviam sido desativadas. Em 2005, o Estado do Amazonas pagou R$ 319.691,00 reais a título de remuneração por serviços ambientais, equivalentes a uma produção de toneladas de borracha. Atualmente, cerca de 10 municípios trabalham nessa atividade e geram uma renda anual média de 2,1 reais por pessoa. Mais de 1.300 famílias estão sendo beneficiadas diretamente com a contrapartida do Governo. A atuação da AFLORAM alcançou os municípios do interior localizados principalmente nas Calhas do Madeira, Purus e Juruá.
Atualmente este programa vem sendo executado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) no que compete a celebração dos convênios e apoio a comercialização, pelo Instituto de Desenvolvimento Agroflorestal do Amazonas (IDAM) no que se refere a assistência técnica e capacitação; e, pela Secretaria Executiva Adjunta de Floresta e Extrativismo (SEAFE/SDS) no que se refere a formulação de políticas voltadas para o setor juntamente com a SEPROR.
Bibliografia
Bibliografia Carvalho dos Santos Jair: Estimativa de Custo de Coleta e Rentabilidade para Sistema Extrativo de Látex de Seringueira no Acre, Safra 2001/2002, Embrapa, Comunicado Técnico 157, Rio Branco, Janeiro de 2003, 8p., 53Ko.
Carvalho dos Santos Jair et al: Demandas Tecnológicas para o sistema produtivo de borracha extrativa (Hevea spp.) no Estado do Acre, Embrapa Acre, Documentos 71, Rio Branco, 2001, 18p., 281Ko.
CEPAL: Análise Ambiental e de Sustentabilidade do Estado do Amazonas , GTZ/SDS/GOV.AMAZONAS, Colección Documentos de Proyectos, Santiago de Chile, Junho de 2007, 203 p., 3.110Ko.
DESER: Estudo Exploratório 07 - Cadeia Produtiva da Borracha, DESER – Departamento de Estudos Sócio-econômicos Rurais, Junho 2005, 31p., 684Ko.
Gamero Augusto H. e Saretta Cássia B.: Regulamentação pública e conduta das firmas no sistema agroindustrial da borracha natural entre 1997 e 2000, in: Revista de Economia e Sociologia Rural, vol.40, no.3, Brasília, 2002, 131Ko.
Gomes Maciel, Raimundo C.: Ilhas de alta produtividade: inovação essencial para a manutenção dos Seringueiros nas Reservas Extrativistas, Mestrado em Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003, 98p., 323Ko.
Machado Guiera Flavio: A assistência técnica e a extensão florestal no Estado do Amazonas - A experiência da Agência de Florestas do Amazonas - AFLORAM (janeiro de 2003 a maio de 2007), Projeto Floresta Viva - SDS, Manaus, junio de 2008, 143 páginas, 6 970 Ko.
Menezes, Mario et al: Cadeia Produtiva da Borracha do Amazonas, Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Série Técnica Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável n°2, Manaus - AM, 2005, 28p., 854Ko.
Pereira, Ailton V. e Botelho Carvalho Elainy: Abertura de Painel de Sangria de seringueira com raspador de casca, MAPA, Recomendação Técnica n°44, Brasilia, Novembro de 2001, 3p., 201Ko.
Pinho de Sa, Claudenor et al: Custo e rentabilidade do sistema extrativo para produção de borracha nas reservas extrativistas no Acre, Embrapa Acre, Comunicado Técnico n°160, Rio Branco, Dez 2004, 4p., 152Ko.
Samonek, Francisco: A borracha vegetal extrativa na Amazônia: um estudo de caso dos novos encauchados de vegetais no Estado do Acre, Dissertação (Mestrado em Ecologia e Manejo dos Recursos Naturais), Departamento de Ciências da Natureza, Universidade Federal do Acre, Rio Branco-Acre 2006, 160p., 1727Ko.
SDS Amazonas: Programa de Subvenção Econômica da Borracha Natural Bruta, SDS/AFLORAM, Governo do Amazonas, Manaus - Amazonas, 2005.








