Informações Gerais sobre a Espécie
Informações Gerais sobre a EspécieA piaçava (significa "planta fibrosa" em Tupí) é uma palmeira nativa do Brasil. Existem pelo menos três espécies diferentes:
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A palmeira Leopoldinia piassaba cresce em concentrações denominadas piaçabais. As fibras saem das bases das folhagens. Trata-se de uma planta de clima quente e sempre úmido. As folhas achatadas da piaçaveira produzem fibra longa, resistente, rígida, lisa, de textura impermeável e de alta flexibilidade. A fibra da piaçava-do-Pará tem textura bem macia e melhor valor comercial do que as outras espécies de piaçava.
Durante o período colonial, após o descobrimento do Brasil, as fibras eram procuradas por navegadores de várias nacionalidades para fabricação de cordas utilizadas como amarra de navios, por oferecerem mais segurança às embarcações. Hoje, além de sub-produtos tais como o bagaço, o bulbo, a amêndoa, a importância econômica da piaçaveira está na extração das suas fibras industriais, que servem para a fabricação de vassouras, enchimento nos assentos de carros, cordoaria e escovais. Essas fibras podem ter outros usos: escovões dos carros de limpeza de ruas, uso em equipamentos de varrer a neve, cabos navais, cordas, isolante térmico, cobertura de casas e artesanatos (cestarias, colares, brincos, pulseiras e objetos de decoração).
No estado do Amazonas as áreas de intensa exploração estão localizadas ao norte do estado, ao longo do Rio Negro. Dos 62 municípios amazonenses das quais dispomos informações, sabe-se que a espécie ocorre em quatro municípios: Barcelos, Japurá, e com mais ocorrência São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. No entanto é necessário conhecer o potencial de produção, promover a adoção de boas práticas de colheita e estruturar e/ou fortalecer a cadeia produtiva no Estado.
Marco legal
Marco legalConforme a Instrução Normativa IBAMA n°112 de 21/08/06, não precisa-se de Documento de Origem Florestal -DOF para o transporte da piaçava. Além disso, a Instrução Normativa nº5, de 11/12/06 do Ministério do Meio Ambiente (MMA), estabelece que para produtos florestais não madeireiros que não necessite de autorização de transporte (ou DOF), não é obrigatório elaborar Plano de Manejo.
Portanto, as pessoas interessadas em comercializar a piaçava, só deverão cadastrar-se no Cadastro Técnico Federal (IBAMA) e informar ao órgão ambiental competente (o IPAAM no caso do Estado do Amazonas), por meio de relatórios anuais, as atividades realizadas, inclusive espécies, produtos e quantidades extraídas, até a edição de regulamentação específica para o seu manejo.
Boas práticas de manejo
Boas práticas de manejoAs boas práticas disseminadas no Amazonas estão voltadas principalmente ao processo de beneficiamento e melhoria da qualidade do artesanato com uso da fibras.
Na colheita 5% das plantas morrem devido aos maus-tratos, e cachos de coco também são prejudicados. Embora não haja um trabalho de manejo da espécie, sugere-se alguns cuidados para minimizar o impacto da extração da fibra:
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Produção e Beneficiamento
Produção e Beneficiamento Uma planta de piaçaveira pode render de oito a dez quilos de piaçava por ano e o tempo de exploração prolonga-se por 20 anos. A média de produção é de 3 kg/planta/ano. Um trabalhador experiente chega a colher 45 kg de piaçava bruta/dia, o que rende aproximadamente 30 kg de material limpo.
A produção e o pré-beneficiamento da fibra de piaçava são feitos da seguinte maneira:
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Os piaçavais são locais de endemismo de malária e doença de chagas, por isso muitos trabalhadores sofrem de malária (vivax e falciparum). Eles passam muitos meses acampados na floresta, longe da família, carregando feixes de até 60kg, por grandes distâncias, em áreas encharcadas.
Por ser vendido sem nenhuma agregação de valor e sempre a intermediários o preço do produto é baixo. É apoiar a organização dos produtores, incentivando a criação de associações e a agregação de valor ao produto, estudando as condições socioeconômicas das comunidades locais e dos acampamentos de piaçabeiros. Além de incentivar o uso da "borra" (parte menos fibrosa do produto) na construção de cobertura de casas (telhado), a exemplo do que ocorre na Bahia, cuja técnica não é conhecida no Amazonas.
Comercialização
Comercialização | A comercialização de cipó no Amazonas foi de aproximadamente 4.236 toneladas no período de 2001 - 2005. Em 2005 nos municípios de São Gabriel, Barcelos e Santa Izabel foram comercializados 837 toneladas, estas foram comercializados para três empresas nacionais com sede no Rio de Janeiro e São Paulo. O produto é apresentado em fardo com pesos variáveis. Os fardos com fibras longas são comercializadas para o mercado externo, enquanto os de fibras curtas, denominadas "tocos", são utilizados na indústria de vassouras. |
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Os principais importadores mundiais da piaçava brasileira são Portugal, Alemanha, Holanda, Estados Unidos da América, Inglaterra e Bélgica.
A vassoura e os artesanatos de piaçava têm alcançado os mercados, nacional e internacional. No entanto, o produtor fica com uma parte mínima do valor final do produto. A produção individual da piaçava ainda é organizada por comerciantes no sistema regatão. No rio Padauari, os Yanomami têm o apoio da FUNAI na sua organização.
Experiências existentes
Experiências existentes - ACIX - Associação Comunitaria Indígena do Rio Xié - ACIX
Município : São Gabriel da Cachoeira
Contato : Arthur
Fone : (97) 3471-1392/1632 - ASIBA - Associação Indígena de Barcelos
Município : Barcelos
Contato : Clarindo
Tel. : (97) 3321-1878
Email : asiba@click21.com.br - FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro
Município : São Gabriel da Cachoeira
Contato :
Tel. : (97) 3471-1632
Programa Estadual
Programa Estadual Atendendo as diretrizes do Programa Zona Franca Verde, surgiu o Programa Amazonas Florestal, criado pelo Governo Estadual, com objetivo de reunir dados técnicos e gerenciais relacionados à fauna e flora da região, impulsionar as potencialidades das comunidades do interior do Estado e os produtores, empreendedores, grupos tradicionais e indígenas do Amazonas. Este programa pretende diminuir o grau de desinformação acerca da temática ambiental e da legislação que a regulamenta, buscando oferecer maior estruturação e organização da produção, tendo em vista a geração de trabalho, renda, redução da pobreza e elevação do índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas comunidades do interior do Estado. A principal diretriz do programa é a superação dos gargalos na organização, gestão e capacidade técnica dos processos produtivos.
A Fundação Estadual dos Povos Indígenas (FEPI) vem executando o Programa Amazonas Indígena tendo como objetivo preencher o vácuo existente na Política Indigenista, atuando em três eixos: Etnodesenvolvimento, Fortalecimento das Organizações Indígenas e Valorização dos Direitos e Diversidade Cultural. O principal objetivo do programa é a promoção da qualidade de vida, geração de emprego e renda por meio de um sistema próprio de produção agroflorestal, agrícola e manejo dos recursos naturais, bem como pela utilização de novas tecnologias aliadas aos conhecimentos tradicionais.
Dentre os vários programas que a FEPI vem executando está o Programa de Valorização e Organização do Artesanato, tomando como base os dados levantados pela fundação em 2004, das materias-primas utilizadas na confecção de artesanato que são de 43% tucum, 15% madeira, 15% sementes, 14% arumã e 13% outros (penas, dentes e cipós).
As ações básicas do programa são:
- capacitação dos artesãos indígenas do Estado por meio de projetos, cursos e oficinas;
- criação de Pólos de Produção e de Comercialização;
- apoio a participação dos artesãos indígenas em várias feiras Estaduais, Nacionais e Internacionais.
A atuação do programa voltado a cadeia produtiva do artesanato com base na piaçava está localizada na região do médio Rio Negro, nos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.
Na execução do Programa Amazonas Indígena a FEPI conta com as parcerias firmadas com as Secretarias de Estado, Ministérios, Organizações não-governamentais e com apoio das Organizações Indígenas.
Bibliografia
Bibliografia Emperaire, Laure: A floresta em jogo. O extrativismo na Amazônia central, São Paulo: Editora UNESP: Imprensa Oficial do Estado, 2000.
Ferreira Evandro J.L.: A exploração da palmeira Piaçava no Vale do Rio Juruá, Acre - Uma espécie promissora para a produção de fibras vegetais, novembro de 2005.
Machado Guiera Flavio: A assistência técnica e a extensão florestal no Estado do Amazonas - A experiência da Agência de Florestas do Amazonas - AFLORAM (janeiro de 2003 a maio de 2007), Projeto Floresta Viva - SDS, Manaus, junio de 2008, 143 páginas, 6 970 Ko.
Menezes Mário et al: Cadeia produtiva das fibras vegetais extrativas do Estado do Amazonas, Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Série Técnica Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável n°4, SDS/SEAE, Manaus 2005, 32p., 836Ko.







