Informações Gerais sobre a Espécie
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O Cipó-titica é o nome popularmente atribuído às raízes aéreas da espécie botânica, Heteropsis flexuosa que pertence à família Araceae. O genero Heteropsis, ao que o cipó titica pertence, é constituido por 18 espécies que ocorrem em outras regiões do Brasil, como sul e sudeste. No sul todas as fibras (incluindo o cipó titica) são chamadas como junco ou rattan, embora pertençam a familias diferentes. |
O Cipó-titica é uma planta típica da Amazônia que ocorre em áreas de terra firme. Trata-se de uma trepadeira que apesar de iniciar sua vida como plântula terrestre, cresce para o alto e vive em troncos ou copa de uma planta hospedeira em busca de luz. Esta trepadeira se alimenta por meio das raízes aéreas que são emitidas em direção ao solo. Estas raízes são também conhecidas por raízes alimentares adventícias e quando "maduras" (quando atingem o solo) são grossas, lenhosas, resistentes e duráveis, sendo muito utilizadas na fabricação de móveis, cestos, peneiras, objetos de decoração.
Esse cipó está cada vez mais raro devido ao desmatamento, extração inadequada e intensa exploração principalmente nas regiões do Pará e no Maranhão. No estado do Amazonas as áreas de intensa exploração estão localizadas ao norte do Estado, ao longo do Rio Negro. Dos 62 municípios amazonenses para os quais dispomos informações sabe-se que em 20 deles ocorre a espécie, no entanto é necessário realizar levantamentos nos outros municípios para se conhecer o potencial de produção do Estado, promover a adoção de boas práticas de colheita e estruturar e/ou fortalecer a cadeia produtiva no Estado.
Marco legal
Marco legalPara diminuir a pressão, evitar a intensa e inadequada extração de cipó titica e dar alternativas de geração de renda aos povos da floresta, o Estado do Amazonas, através da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável- SDS, tomou a iniciativa de elaborar uma instrução normativa que regulamenta a coleta do cipó (IN SDS n°001 de 11 de fevereiro de 2008). Trata-se de uma instrução de caráter educativo que adota como princípio a valorização do conhecimento tradicional e do conhecimento científico.
Esta Instrução foi elaborada a partir de revisão bibliográfica, consultas públicas presenciais e via internet, testes de campo e consultas a pesquisadores. Como resultado foi definido um procedimento simplificado de auto-declaração do plano de manejo que dispensa a realização de inventário prévio. O plano de manejo deve ser enviado ao IPAAM previamente à exploração na forma do anexo 1, e a ficha de campo contendo informações sobre os fios coletados devem ser apresentada na forma do anexo 2 no prazo de 90 dias após a data do embarque do produto em veículo de transporte ou embarcação.
Os produtos ao serem transportados devem estar acompanhados dos seguintes documentos : 1) plano de manejo assinado e datado e/ou 2) declaração de recebimento desse plano de manejo pelo IPAAM.
Boas práticas de manejo
Boas práticas de manejoAs boas práticas de manejo do cipó recomendadas no Estado do Amazonas estão na IN do cipó. Estas boas práticas estão contidas no plano de manejo juntamente com informações de descrição geral e croquis das áreas de coleta.
As recomendações das boas práticas para um uso sustentável do cipó-titica são as seguintes:
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Observação: As comunidades que optarem em realizar a colheita sustentável do cipó podem adotar as boas práticas sugeridas na IN ou podem definir práticas mais restritivas do número de fios maduros a serem coletados, bem como os outros procedimentos que acharem pertinentes.
Produção e Beneficiamento
Produção e Beneficiamento A coleta de cipó é realizada durante o ano todo, sendo que no verão são preferíveis as áreas próximas da comunidade e no inverno as áreas mais distantes devido a facilidade em locomover-se pelos rios.
Devido a utilização de fibras vegetais ser uma tradição principalmente dos povos indígenas, a maior produção de cipó no Estado ocorre na região do Alto Rio Negro. Em São Gabriel da Cachoeira a produção foi de aproximadamente 154.897 kg entre os povos Baniwa, Kuripaco, Werekena, Baré e Yanomami. Um extrator profissional chega a coletar por dia até 20 kg de cipós/dia, onde 1kg de cipó rende aproximadamente 400g de fibra.
O beneficiamento do cipó inicia no momento de sua extração na floresta com a remoção dos nós, seguida pela separação da casca e fibra. Este processo é facilitado quando os fios estão maduros, podendo ser realizado com uma faca ou com a própria unha.
As fibras são agrupadas, amarradas em forma de piraiba e armazenadas em locais sombreados e ventilados para não perderem o valor comercial devido a possíveis manchas provocadas pelo sol. Os extratores são ainda incentivados a venderem a fibra o mais rápido possível para se evitar a perda de umidade e a consequente perda de peso e valor do quilograma.
Comercialização
Comercialização A comercialização de cipó no Amazonas foi de aproximadamente 1.311 toneladas no período de 2001 - 2005. Em 2005 nos municípios de São Gabriel, Barcelos, Japurá e Manaus foram comercializados 384 toneladas, destas 154.897 kg foram comercializados para três empresas nacionais com sede no Rio de Janeiro e São Paulo.
| Em São Paulo o valor do quilograma do cipó chega a R$ 10,00 e no Amazonas varia de R$ 2,00 a R$ 3,00 o quilo de cipó com casca e de R$ 4,00 a R$ 4,50 o quilo do cipó descascado. O Brasil possui uma demanda de 5 mil toneladas anuais de fibras descascadas, faz-se notoria a urgente necessidade em se estabelecer políticas que promovam a ampliação e/ou fortalecimento da produção, de forma que esta venha atender as 3.689 toneladas requeridas para atender toda a demanda nacional, gerando no mínimo mais 7.378 reais. |
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Quanto à qualidade, os fios são selecionados pela cor, comprimento, espessura e forma. Os fios retos são os mais preferíveis devido seu fácil manuseio se comparados ao fios que se encontram enrolados nos troncos das árvores.
Experiências existentes
Experiências existentes Dentre as atividades desenvolvidas pelo Programa Zona Franca Verde visando orientação dos interessados na coleta e beneficiamento do cipó-titica para agregar renda e desenvolver a economia das cidades, destacam-se as que seguem abaixo:
- No Alto Rio Negro, a Associação Baniwa do rio Içana e Cuiari - ABRIC, dentre os trabalhos de conscientização, educação, desenvolvimento econômico sustentável, preservação e resgate dos conhecimentos tradicionais, desenvolve atividades de capacitação para comercialização de cipó titica.
- Na RDS Uacari, a estruturação da cadeia iniciou por meio do levantamento do potencial de fibras vegetais, principalmente os cipós titica e ambé e pelo reconhecimento das práticas de coleta e beneficiamento tradcionais de forma a se implantar práticas de coletas sustentáveis.
As organizações comunitárias que comercializam o cipó in natura, como artesanato ou vassoura são :
- Associação Baniwa do Rio Içana - ABRIC
conta conta com o apoio de organizações como FOIRN, FEPI
Município : São Gabriel da Cachoeira
Contato : Franklin Baniwa
Tel. : (97) - Associação Comunitaria Indígena do Rio Xié - ACIX
Município : São Gabriel da Cachoeira
Contato : Arthur
Fone : (97) 3471-1392/1632 - Associação dos artesãos de Novo Airão - AANA
conta como a opoio da Fundação Vitória Amazônia (FVA) e o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)
Município : Novo Airão
Contato: Antônio Clemente Martins, Presidente
Tel. : (92) 3365-1278 - Associação dos Produtores Rurais de Carauari - ASPROC
Município: Carauari
Contato: Manuel da Cruz Cosme de Siqueira
Tel.: (97) 3491-1023 - Associação Indigena de Barcelos - ASIBA
Município : Barcelos
Contato : Clarindo
Tel. : (97) 3321-1878
Email : asiba@click21.com.br
Programa Estadual
Programa EstadualAtendendo as diretrizes do Programa Zona Franca Verde, surgiu o Programa Amazonas Florestal, criado pelo Governo Estadual, com objetivo de reunir dados técnicos e gerenciais relacionados à fauna e flora da região, impulsionar as potencialidades das comunidades do interior do Estado e os produtores, empreendedores, grupos tradicionais e indígenas do Amazonas. Este programa pretende diminuir o grau de desinformação acerca da temática ambiental e da legislação que a regulamenta, buscando oferecer maior estruturação e organização da produção, tendo em vista a geração de trabalho, renda, redução da pobreza e elevação do índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas comunidades do interior do Estado. A principal diretriz do programa é a superação dos gargalos na organização, gestão e capacidade técnica dos processos produtivos.
Nesse sentido, a Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Amazonas (AFLORAM), criada em 2003 executou o Programa de Fibras Vegetais. Esse programa iniciou a partir da demanda na I conferencia estadual de Populações Tradicionais. O objetivo do programa estava voltado inicialmente a definição de boas práticas de manejo do cipó-titica e da elaboração de uma legislação que regulamenta-se a atividade visando a agregação de valor dos produtos a base do cipó.
As ações da AFLORAM estavam voltados ao:
- levantamento das praticas tradicionais de coleta do cipó com vistas à construção de um sistema de manejo que considerasse os métodos tradicionais e as informações científicas sobre a espécie;
- elaboração da instrução normativa do cipó;
- realização de consultas públicas para construção de uma instrução com participação da sociedade.
A atuação da AFLORAM se concentrou nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Carauari.
Atualmente este programa vem sendo executado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) no que compete ao apoio a comercialização, pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM)no que se refere a assistência técnica e capacitação; e, pela Secretaria Executiva Adjunta de Floresta e Extrativismo (SEAFE/SDS) no que se refere a formulação de políticas voltadas para o setor juntamente com a SEPROR.
Bibliografia
Bibliografia Durigan C.C e Carvalho C.V. de: O extrativismo de cipós (Heteropsis spp., Araceae) no Parque Nacional do Jaú, in: Janelas para a biodiversidade no Parque Nacional do Jaú. Uma estratégia para o estudo da biodiversidade na Amazônia, Manaus: Fundação Vitória Amazônica, 2004.
Lovatti, Marcio José: Estudo de um inventário do Cipó Titica (Heteropsis sp.) realizado numa área de manejo no Estado do Pará, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, USP, Piracicaba, junho de 2007, 13p., 495Ko.
Machado Guiera Flavio: A assistência técnica e a extensão florestal no Estado do Amazonas - A experiência da Agência de Florestas do Amazonas - AFLORAM (janeiro de 2003 a maio de 2007), Projeto Floresta Viva - SDS, Manaus, junio de 2008, 143 páginas, 6 970 Ko.
Menezes Mário et al: Cadeia produtiva das fibras vegetais extrativas do Estado do Amazonas, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Série Técnica Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável n°4, SDS/SEAE, Manaus 2005, 32p., 836Ko.
Pereira, Luciano A. et al: O conhecimento tradicional dos agroextratores de cipó-titica : uma abordagem etnoecológica, Revista Brasileira de Agroecologia, v.2, n.1, fev. 2007.
Plowden, Campbell et al: A ecologia e o potencial de colheita de raízes de cipó de titica (Heteropsis flexuosa: Araceae) na Amazônia oriental brasileira , Ciência de Elsevier B.V., 2003, 15p., 243Ko.
Queiroz, J.A.L. et al: Cipó-titica (Heteropsis flexuosa (H.B.K) G. S. Bunting): diagnóstico e sugestões para o uso sustentável no Amapá, Macapá: Embrapa Amapá, 2000. 17 p.
Ruiz, Rocio Chacchi e Bobot, Teiamar da Encarnação: Instrução Normativa do Cipó, Edições Governo do Estado do Amazonas/Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Série Técnica Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável n°14, Manaus 2008, 27p., 196Ko.
Wallace, Richard e Ferreira, Evandro: Extractive Exploitation of cipó titica (Hetereopsis flexuosa (H.B.K.) Bunt., Araceae) in Acre: Management and Market Potential , Universidade Federal do Acre, The New York Botanical Garden, 1998.







