O conceito de Extrativismo
O conceito de Extrativismo No Portal do Extrativismo, o termo "extrativismo" designa a utilização "sustentável" dos produtos naturais, ou seja, a colheita racional de recursos renováveis na floresta, seguindo práticas de menor impacto ambiental e mantendo a biodiversidade. Tendo os principais produtos brutos extraidos da floresta: sementes, frutos, folhas, fibras, madeira, óleos, resinas, peixes, jacaré, outros animais...
O Portal do Extrativismo está centrado no extrativismo realizado por "populações tradicionais", sejam comunidades tradicionais, indivíduos ou grupos associados ou cooperados. Essas populações, de orígens diversas e que moram no coração da floresta, desenvolveram e adquiriram um conhecimento profundo das riquezas naturais, que sustentam as suas economias. Essas populações cumprem um papel fundamental na conservação da floresta em pé.
O Portal do Extrativismo pretende fomentar a valorização dos produtos extrativistas no mercado, junto com uma repartição justa do valor agregado em favor das populações tradicionais. Os produtos extrativistas, beneficiados ou não, tem um apelo cada vez maior no mercado, devido à consciência crescente do cidadão consumidor sobre a necessidade de conservar os serviços ambientais oferecidos pela floresta.
O extrativismo na história do Amazonas
O extrativismo na história do Amazonas O extrativismo sempre cumpriu um papel fundamental na econômia do Amazonas, embora nem sempre de forma justa e sustentável.
As populações indígenas, nativas da floresta, foram os primeiros extrativistas, coletando uma grande variedade de produtos da floresta para sua sobrevivência.
Na segunda metade do século XIX, começa o conhecido ciclo da borracha (latex da seringa - Hevea brasiliensis). Durante quase meio século, de 1870 a 1920, a produção de borracha na Amazônia é uma das mais importantes atividades econômicas do país. Envolvendo cerca de 100 mil pessoas, em grande parte nordestinos retirantes das grandes secas da década de 1870, a exportação do látex amazônico chega a atingir médias anuais de 40 mil toneladas, enviadas para os Estados Unidos e para a Europa.
Os seringueiros coletavam a borracha na floresta e vendiam a sua produção para os seringalistas, que se apropriaram de amplas áreas de produção (os seringais) e organizaram e controlaram a comercialização para os mercados externos. O chamado "ciclo da borracha", que financiou a expansão de cidades da Amazônia como Manaus ou Belém, durou apenas trinta anos e pouco beneficiou aos seringueiros. Morando em comunidades afastadas e isoladas (colocações), a maioria dos seringueiros não sairam da pobreza, tornando-se individados pelo sistema de abastecimento e comercialização da produção (aviamento) implementado pelos intermediários (regatões e atravessadores). O auge da borracha terminou no início dos anos 1920, com a entrada em produção das plantações da Malásia, desenvolvidas e implantadas com sementes oriundas da Amazônia.
A ocupação japonesa das plantações asiáticas deu à borracha da Amazônia um segundo pequeno auge no início dos anos 40 para abastecer as tropas aliadas. Cem mil soldados da borracha foram recrutados e enviados na floresta para coletar o precioso látex. Desde então, a extração da borracha se manteve com altos e baixos, graças a um programa de subvenção implementado pelo governo do Estado do Amazonas.
Embora a borracha não tenha sido o único produto extrativista da Amazônia, a história da borracha foi estruturante do povoamento e do movimento social da Amazônia. Em mais de vinte anos de luta, as populações tradicionais conseguiram fazer reconhecer os seus direitos sobre a floresta, particularmente por meio de Reservas Extrativistas (Resex), Projetos de Assentamentos Extrativistas (PAE) e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS). Nessas Unidades de Conservação de Uso Sustentável e Projetos de Assentamentos Coletivos, os extratores tradicionais, junto com os indígenas nas Terras Indígenas e as outras comunidades ribeirinhas do Estado, vivem principalmente do extrativismo.
Regulamentar e valorizar a produção extrativista no mercado deve permitir aumentar a renda das comunidades ribeirinhas do interior, por meio do uso sustentável e da conservação da floresta. Isso é o novo paradigmo que nortea o Programa Zona Franca Verde implementado desde 2003.
Referências bibliográficas
Referências bibliográficasEvolução Histórica do Extrativismo
Rafael Pinzón Rueda
http://www.ibama.gov.br
Portal do Conselho Nacional dos Seringueiros
A extração sustentável de produtos florestais na Amazônia brasileira: vantagens, obstáculos e perspectivas
Drummond José Augusto, Estudos Sociedade e Agricultura, 6, julho 1996: 115-137., 12p., 157Ko.



