Informações gerais sobre a espécie
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A copaíba (Copaifera spp.) também conhecida popularmente como pau-de-óleo, pau-d'alho, árvore milagrosa, mari-mari, copaíba roxa, copaíba vermelha, bálsamo, pertence a família Caesalpineaceae. O gênero Copaifera possui 16 espécies que são encontradas no Brasil, porém em maior quantidade na região amazônica, onde ocorre em florestas de terra firme, nas margens dos lagos e igarapés. A copaíba é uma árvore que atinge cerca de 40 metros de altura e 140 cm de diâmetro. Produz um "óleo-resina", ou seja, um exsudato que é extraído do tronco. |
A sua casca e folhas têm um cheiro forte que caracteriza o óleo. A síntese do óleo pela copaibeira é uma evolução natural para se defender de pragas e patógenos.
Tradicionalmente conhecida como o "antibiótico da mata", a copaíba é uma das plantas medicinais mais usadas na Amazônia, principalmente como antiinflamatório, cicatrizante, bactericida. Os comunitários também usam o óleo como combustível para lamparinas. O óleo de copaíba é bastante procurado pelas indústrias farmacêuticas, químicas que usam o óleo como fixador na fabricação de verniz, perfume e tintas, ou para fazer cosméticos como sabonetes, cremes e xampus em linhas de produtos naturais.
Marco Legal
Marco LegalDevido a extração inadequada do óleo e principalmente pela derrubada ilegal da madeira, as espécies de copaíba reduziram-se, e para diminuir a pressão nestas espécies, o Estado do Amazonas através da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável- SDS, tomou a iniciativa de elaborar um decreto que proíbe o licenciamento do corte, transporte e comercialização da madeira de andiroba e copaíba (Decreto n°25.044, de 1° de junho de 2005).
De acordo com a Instrução Normativa MMA n°05 de 11/12/06 e a Instrução Normativa SDS/IPAAM n°005 de 26/02/08, as associações comunitárias, empresas, proprietários ou possuidores rurais que querem coletar sementes e produzir óleo de copaíba para comercialização devem cadastrar-se no Cadastro Técnico Federal (IBAMA), e informar o órgão ambiental estadual (IPAAM no caso do Amazonas) sobre as atividades realizadas (espécies, produtos e quantidades extraídos).
No caso do óleo essencial de copaíba, por precisar de Documento de Origem Florestal -DOF para o seu transporte (conforme Instrução Normativa IBAMA n°112 de 21/08/06), os produtores precisam de licenciamento ambiental, e portanto elaborar um plano de manejo.
O Plano de Manejo deve ser elaborado obedecendo aos critérios de coleta, evitando a exploração predatória (através do uso do machado) e a extração continuada, ou seja, respeitando o ciclo de coleta de três anos.
Boas Práticas de manejo
Boas Práticas de manejoPara se manejar o óleo de copaíba alguns procedimentos deverão ser adotados, pois se retirado da floresta de maneira inadequada, este produto ficará cada vez mais difícil de ser encontrado. O manejo se dá através do uso sustentável do produto da floresta e o método para coletar o óleo de copaíba é feito com uso de trado. Este equipamento permite um maior aproveitamento do produto causando menos impacto à árvore.
O mapeamento ou localização das copaíbas na floresta pode ser feito de várias formas. Um método rápido e de baixo custo vem sendo usado por várias comunidades tradicionais e obedece aos seguintes passos:
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Para utilizar de forma sustentável o óleo de copaíba, a coleta deverá ser feita da seguinte maneira:
- Escolher as copaíbas que serão furadas de acordo com o tamanho da circunferência (rodo) da árvore.
- Furar as árvores que tenham uma circunferência (rodo) acima de 1,20 m, ou seja, 40 cm de diâmetro, sendo esta medida a 1,30 em relação ao solo. Paras as árvores com rodo abaixo de 1,20 cm estas são consideradas como remanescentes, ficando destinada para coleta futura.
- Furar a árvore com uso do trado, até o centro do tronco, girando-o no sentido horário.
- Encaixar imediatamente o cano com a mangueira no furo do tronco, ao encontrar óleo, e deixar a mangueira ligada à copaíba, depois se retira o vasilhame, e coloca-se uma garrafa de plástico.
- Retirar a mangueira e fechar o cano com tampa de PVC, quando o óleo já não estiver escorrendo.
- Tampar o buraco, para não desperdiçar óleo, evitando também a infestação dos insetos. Se a árvore não der óleo, deve-se fechar a abertura no tronco com um pedaço de galho para evitar entrada de insetos e acúmulo de água, e essa mesma árvore pode ser furada em outro lugar do tronco.
O ciclo de coleta para o manejo do óleo de copaíba é de 3 anos, tempo mínimo de retorno à área para realizar nova coleta. Para coletar óleo todos os anos a recomendação é dividir o número de árvores da propriedade por 3 (3 "estradas"). Para iniciar novo ciclo de coleta, o coletor poderá retornar a estrada 1 ou identificar novas áreas para manejar, seguindo a mesma metodologia. Se algumas árvores do ano 1 não possuir óleo, estas poderão ser furadas no ano 2.
O kit copaíba para coleta do óleo e formado pelos seguintes materiais:
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Produção e Beneficiamento
Produção e BeneficiamentoA produção parece variar de acordo com o tipo de solo (maior produção nos solos arenosos, e na terra firme ) e ao longo do tempo. Pode-se considerar uma produção média de 4 litros por árvore, com coletas de 3 em 3 anos.
Após a coleta, o óleo deve ser separado de acordo com a cor, se possível por densidade (grossura do óleo) e, coado com um pano limpo. Não se deve misturar óleos de diferentes cores.
Existem vários tipos de copaibera: vermelha, branca, amarela e com placas grandes e pequenas, o que resulta em grande variedade do óleo na cor, cheiro, sabor e densidade. Os óleos mais claros são preferidos pelas indústrias de remédios e os mais escuros são usados para fazer sabão.
O óleo pode ser guardado muito tempo, mas deve ser armazenado em boas condições, em vidros de preferência escuros, e quando em grandes quantidades em tambores ou carotes maiores. Os vasilhames plásticos devem ser usados apenas no transporte da floresta até a casa do coletor, pois se armazenado durante 3 a 4 meses, o plástico da vasilha sofre uma reação por causa do óleo e começa a ser dissolvido. Não se devem usar vasilhames onde foram guardados combustíveis.
Comercialização
ComercializaçãoO óleo de copaíba apresenta uma grande variação na tonalidade, viscosidade e intensidade de cor. A coloração é um fator importante para o mercado consumidor. As adulterações que sofre o óleo de copaíba está relacionado com a comercialização sem controle. Os produtos mais utilizados para adulteração encontrados são:
- óleos graxos (óleo de cozinha) e o álcool etílico;
- água ou gordura animal.
Devido as adulterações no produto, muitas empresas exigem amostras prévias para certificar a qualidade e definir preço. Esses preços dependem da presença ou não de impurezas como cascas, cinzas, terra, ou ainda de alterações causadas pela armazenagem em recipientes plásticos não adequado e exposição à luz solar.
Os óleos com característica incolor são os que possuem melhor valor de mercado, variando de acordo com o comprador, o lugar, o tipo de processamento, embalagem e composição do produto. O preço do óleo pago ao coletor varia entre R$3,00 e R$12,00 por litro. Quanto maior for a proximidade do produto as exigência de mercado, maior será o lucro dos coletores.
Experiências Existentes
Experiências Existentes- Associação Vida Verde da Amazônia - AVIVE
Município: Silves
Contato: Barbara Schmal
Tel.: (92) 3528 - 2161
www.avive.org.br - Associação dos Produtores de Jutaí - ASPROJU
Município: Jutaí
Contato: Adair Inema Paiva
Tel.: (97) 3425-1056 - Associação dos Extrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Cujubim - AERDSC
Município: Jutaí
Contato: João Ibório Apolônio Lopes
Tel.: (97) 3425-1668/1056 - Associação dos Produtores Rurais de Carauari - ASPROC
Município: Carauari
Contato: Manuel da Cruz Cosme de Siqueira
Tel.: (97) 3491-1023
Programa Estadual
Programa EstadualAtendendo as diretrizes do Programa Zona Franca Verde, surgiu o Programa Amazonas Florestal, criado pelo Governo Estadual, com objetivo de reunir dados técnicos e gerenciais relacionados à fauna e flora da região, impulsionar as potencialidades das comunidades do interior do Estado e os produtores, empreendedores, grupos tradicionais e indígenas do Amazonas. Este programa pretende diminuir o grau de desinformação acerca da temática ambiental e da legislação que a regulamenta, buscando oferecer maior estruturação e organização da produção, tendo em vista a geração de trabalho, renda, redução da pobreza e elevação do índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas comunidades do interior do Estado. A principal diretriz do programa é a superação dos gargalos na organização, gestão e capacidade técnica dos processos produtivos.
Nesse sentido, a Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Amazonas (AFLORAM), criada em 2003 executou o Programa de Fortalecimento da Cadeia Produtiva dos Óleos Vegetais. O objetivo do programa de boas práticas é de fornecer subsídios suficientes para que as organizações locais envolvidas pudessem assumir o controle das atividades de produção e beneficiamento de forma autônoma.
As ações da AFLORAM estavam voltados ao:
- fomento a organização das associações e cooperativas;
- capacitação, orientação e acompanhamento técnico desde a coleta até o beneficiamento;
- captação de recursos para construção de usinas e mini-usinas para extração industrial de óleos e de tablados de secagem comunitária;
- apoio a gestão das usinas;
- apoio a comercialização;
- apoio a agregação de valor por meio da certificação FSC.
A atuação da AFLORAM deu-se diretamente no fomento à extração de óleos das espécies andiroba (Carapa guianensis), buriti (Mauriti flexuosa), murumuru (Astrocaryum ulei) e copaíba (Copaifera sp.) envolveu os municípios do interior localizados principalmente na região do Baixo Amazonas (município de Presidente Figueiredo), Calhas do Madeira (Manicoré e Humaitá), Purus (Lábrea, Alto Solimões, (Tabatinga) e Calha do Juruá (Carauari, Itamarati e Juruá).
Atualmente este programa vem sendo executado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) no que compete ao apoio a comercialização, pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM) no que se refere à assistência técnica e capacitação; e, pela Secretaria Executiva Adjunta de Floresta e Extrativismo (SEAFE/SDS) no que se refere a formulação de políticas voltadas para o setor juntamente com a SEPROR.
Bibliografia
BibliografiaCarvalho dos Santos, J. et al: Demandas Tecnológicas para o sistema produtivo de óleo de copaíba (Copaifera spp) no Estado do Acre, Embrapa, Documentos n°69, Dezembro 2001, 21p., 287Ko.
Emperaire, Laure: A floresta em jogo. O extrativismo na Amazônia central, São Paulo: Editora UNESP: Imprensa Oficial do Estado, 2000.
Leite, A. et al.: Recomendações para o manejo sustentável do óleo de copaíba, Rio: UFAC/SEFE, 2001, 38p.il. Série: Manejo Sustentável de Florestas Tropicais.
Leite, A. et al.: Projeto de manejo florestal comunitário para o aproveitamento do óleo de copaíba (Copaifera spp.), AMOPREX, Rio Branco -AC, Setembro 2004, 51p., 839Ko.
Leite, A. et al.: Estudo de mercado e comercialização do óleo de Copaíba em São Paulo, Rio Branco e Porto Velho, Projetos de Execução Descentralizada -PED, Prefeitura Municipal de Xapuri -AC, Rio Branco, Outubro 1998, 53p., 432Ko.
Machado Guiera Flavio: A assistência técnica e a extensão florestal no Estado do Amazonas - A experiência da Agência de Florestas do Amazonas - AFLORAM (janeiro de 2003 a maio de 2007), Projeto Floresta Viva - SDS, Manaus, junio de 2008, 143 páginas, 6 970 Ko.
Medeiros, Raquel da Silva: Sustentabilidade de extração, produção e características químicas do óleo-resina de copaíba, Dissertação de Mestrado, Programa Integrado de Pós-graduação em Biologia Tropical e Recursos Naturais do Convênio INPA/UFAM, Manaus, 2006, 83 p.
Menezes, Mario et al: Cadeia produtiva dos óleos vegetais extrativos no Estado do Amazonas, Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Série Técnica Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável n°6, Manaus - AM, 2005, 36p., 855Ko.
Rigamonte-Azevedo O. et al: Potencial de produção de óleo-resina de Copaíba (Copaifera spp) de populações naturais do Sudoeste da Amazônia, Sociedade de Investigações Florestais, Revista Árvore, Viçosa-MG, v.30, n.4, p.583-591, 2006, 683 Ko.
Rigamonte-Azevedo O. et al: Copaíba: ecologia e produção de óleo-resina, Embrapa, Documento n°91, Outubro de 2004, 31p., 1.377 Ko.
Shanley, Patricia e Medina, Gabriel: Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica, CIFOR, Imazon - Belém, 2005, 23 Mb.






