Informações gerais sobre a espécie
Informações gerais sobre a espécieO nome andiroba ("gosto amargo" em tupi-guarani) é atribuído a duas espécies da família Meliaceae: a Carapa guianensis Aubl. com ocorrência em toda a bacia Amazônica, preferencialmente em ambiente de várzea; e a Carapa procera D.C. espécie mais restrita a algumas áreas da Amazônia. As andirobeiras se adaptam tanto em ambiente de terra firme quantos na várzea.
![]() |
A andiroba é uma árvore de porte médio a grande, podendo atingir 30 metros de altura apresentando freqüentemente sapopemas. As sementes de andiroba fornecem um dos óleos medicinais mais utilizados na Amazônia. Este óleo é usado para a produção de repelentes de insetos, anti-sépticos, e antiinflamatórios. Sua casca tem uso medicinal contra febre, vermes, bactérias e tumores. A época para coletar as amêndoas da andiroba varia de janeiro a abril, podendo haver oscilação na produção dos frutos. A madeira das andirobeiras possui um sabor amargo e é oleaginosa, por isso não é atacada por cupins. Por sua alta qualidade, a madeira sofreu uma intensa exploração, ocasionando redução das espécies. |
Marco Legal
Marco LegalO Estado do Amazonas através da Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), para diminuir a pressão e evitar a exploração das espécies de andiroba, formulou o Decreto n°25.044 de 1° de junho de 2005, que proíbe o licenciamento do corte, transporte e comercialização de madeira da andiroba e da copaíba.
Conforme a Instrução Normativa IBAMA n°112 de 21/08/06, não precisa-se de Documento de Origem Florestal -DOF para o transporte de óleo de andiroba. Além disso, a Instrução Normativa nº5, de 11/12/06 do Ministério do Meio Ambiente (MMA), estabelece que para produtos florestais não madeireiros que não necessite de autorização de transporte (ou DOF), não é obrigatório elaborar Plano de Manejo.
No, entanto as associações comunitárias, empresas, proprietários ou possuidor rurais deverão cadastrar-se no Cadastro Técnico Federal (IBAMA), e informar o órgão ambiental estadual (IPAAM no caso do Amazonas) sobre as atividades realizadas (espécies, produtos e quantidades extraídos).
Boas Práticas de manejo
Boas Práticas de manejo| A procura pelos recursos florestais no Estado do Amazonas, vem crescendo muito principalmente para aqueles produtos de boa aceitação no mercado. Considerando as questões sociais e ambientais, a utilização das amêndoas de andiroba para produção de óleo foi uma alternativa que os ribeirinhos encontraram para melhorar a renda familiar. O manejo é a utilização racional dos produtos da floresta, que possibilita uma produção sustentável. Para aproveitar os recursos da floresta é importante saber quais são as árvores existentes, onde elas estão localizadas e quanto de semente elas podem produzir. |
![]() |
O manejo das andirobeiras consiste na coleta organizada das amêndoas, que deve ser feito pelos seguintes passos: conhecer as técnicas de manejo; inventariar as áreas de ocorrência e mapear as andirobas; e realizar corretamente a coleta e transporte.
O inventário florestal é uma atividade que irá indicar o potencial de andiroba na floresta, e deve ser realizado com a ajuda de quem conheça as áreas de ocorrência das andirobas e conheça também as árvores.
As amêndoas são coletadas do chão, e no momento da coleta deve-se observar se estão sadias para produzir um óleo de boa qualidade. As sementes que já tiverem germinadas ficarão na floresta para garantir a regeneração da espécie.
A coleta das amêndoas é uma atividade simples e não exige alto investimento, pois para esta atividade não se necessita de materiais e equipamentos caros.
Produção e Beneficiamento
Produção e BeneficiamentoA produção de andiroba chega em média a 120 kg de amêndoas/árvore/ano. Um fruto contém aproximadamente 16 sementes, e 100kg de amêndoas chegam a produzir cerca de 18 litros de óleo. Existem dois processos para a extração do óleo de andiroba, um é o Método Tradicional, e o outro é o Método Industrial.
- Cozimento;
- Resfriamento;
- Secagem;
- Quebra das sementes;
- Retirada da polpa;
- Maceração;
- Aquecimentos ao sol;
- Armazenamento.
- Vantagens
- Baixo custo de produção;
- Emprego de mão de obra familiar
- Desvantagens
- Diferentes teores de umidade e índices de acidez;
- Baixo preço e rendimento;
- Processo de beneficiamento lento.
- Limpeza;
- Pesagem;
- Secagem;
- Moagem;
- Cozimento;
- Prensagem;
- Filtragem e bombeamento do óleo;
- Acondicionamento e expedição;
- Resíduos.
- Vantagens
- Um produto de boa qualidade com aceitação no mercado;
- Um volume de produção permitindo busca de mercado;
- Um alto rendimento;
- Um processo rápido.
- Desvantagens
- Um alto custo de produção em relação ao artesanal;
- Redução de mão de obra.
Método tradicional
Método tradicionalNo método tradicional, as etapas para a extração do óleo de andiroba seguirão os seguintes passos:
![]() |
|
O método tradicional de beneficiamento do óleo de andiroba apresenta vantagens e desvantagens:
Método industrial
Método industrialNo processo de extração industrial o beneficiamento é mais rápido. As fábricas extraem o óleo de acordo com as seguintes etapas:
Para o beneficiamento industrial do óleo de andiroba, pode ser destacado algumas vantagens e desvantagens.
Comercialização
ComercializaçãoO óleo e seus subprodutos tais como sabonetes e velas são muito vendidos na Amazônia, geralmente em feiras livres.
| No município de Carauari - AM, em 2006 os produtores da RESEX do Médio Juruá e da RDS do Uacari comercializam andiroba in natura por um valor de R$ 5,00 uma lata, que corresponde a 18 litros. A produção é comprada pela Cooperativa do Roque que processa e comercializa. O óleo também tem sido comercializado para outras regiões do país, além de ser exportado, principalmente, para indústria de cosméticos da França, Alemanha e dos Estados Unidos. |
![]() |
Experiências Existentes
Experiências Existentes- AMARU - Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari
Município: Carauari
Contato: Francisco Flávio Ferreira do Carmo
Tel.: (97)3491-1099 - ASPACS - Associação dos Moradores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha do Município de Lábrea
Município: Lábrea
Contato: Astrogildo
Tel.: (97) 3331-1453 - ASPROC - Associação dos Produtores Rurais de Carauari
Município: Carauari
Contato: Manuel da Cruz Cosme de Siqueira
Tel.: (97) 3491-1023 - ASPROJU - Associação dos Produtores de Jutaí
Município: Jutaí
Contato: Adair Inema Paiva
Tel.: (97) 3425-1056 - Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas de Pauini
Município: Pauini
Contato: Jeová Brigido Roberto
Tel.: (97) 3458-1109/ 3458-1133 - ASTROJ - Associação dos Trabalhadores Rurais de Juruá
Município: Juruá
Contato: Raimundo Ferreira Lima
Tel.: (97) 3427-1251 - AVIVE - Associação Vida Verde da Amazônia
Município: Silves
Contato: Barbara Schmal
Tel.: (92) 3528 - 2161
www.avive.org.br - CODAENJ - Cooperativa da Comunidade do Roque
Município: Carauari
Contato: Francisco Pinto da Costa
Tel.: (97) 4400-7679 - Comunidades de Cai N'água, Bom Intento, Limão, Andiroba e Miraáua
Município: Manaquiri - COOPERAR - Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus
Município: Boca do Acre
Contato: Jaime Rogério Passos Sass
Tel. : (97) 3453-5135/97 8113-4931
Programa Estadual
Programa EstadualAtendendo as diretrizes do Programa Zona Franca Verde, surgiu o Programa Amazonas Florestal, criado pelo Governo Estadual, com objetivo de reunir dados técnicos e gerenciais relacionados à fauna e flora da região, impulsionar as potencialidades das comunidades do interior do Estado e os produtores, empreendedores, grupos tradicionais e indígenas do Amazonas. Este programa pretende diminuir o grau de desinformação acerca da temática ambiental e da legislação que a regulamenta, buscando oferecer maior estruturação e organização da produção, tendo em vista a geração de trabalho, renda, redução da pobreza e elevação do índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas comunidades do interior do Estado. A principal diretriz do programa é a superação dos gargalos na organização, gestão e capacidade técnica dos processos produtivos.
Nesse sentido, a Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Amazonas (AFLORAM), criada em 2003 executou o Programa de Fortalecimento da Cadeia Produtiva dos Óleos Vegetais. O objetivo do programa de boas práticas é de fornecer subsídios suficientes para que as organizações locais envolvidas pudessem assumir o controle das atividades de produção e beneficiamento de forma autônoma.
As ações da AFLORAM estavam voltados ao:
- fomento a organização das associações e cooperativas;
- capacitação, orientação e acompanhamento técnico desde a coleta até o beneficiamento;
- captação de recursos para construção de usinas e mini-usinas para extração industrial de óleos e de tablados de secagem comunitária;
- apoio a gestão das usinas;
- apoio a comercialização;
- apoio a agregação de valor por meio da certificação FSC.
A atuação da AFLORAM deu-se diretamente no fomento à extração de óleos das espécies andiroba (Carapa guianensis), buriti (Mauritia flexuosa), murumuru (Astrocaryum ulei) e copaíba (Copaifera sp.) envolveu os municípios do interior localizados principalmente na região do Baixo Amazonas (município de Presidente Figueiredo), Calhas do Madeira (Manicoré e Humaitá), Purus (Lábrea, Alto Solimões, (Tabatinga) e Calha do Juruá (Carauari, Itamarati e Juruá).
Atualmente este programa vem sendo executado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) no que compete ao apoio a comercialização, pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM) no que se refere à assistência técnica e capacitação; e, pela Secretaria Executiva Adjunta de Floresta e Extrativismo (SEAFE/SDS) no que se refere a formulação de políticas voltadas para o setor juntamente com a SEPROR.
Bibliografia
Bibliografiahttp://www.cpafac.embrapa.br/chefias/cna/artigos/andiroba.htm, 17/05/08.
Ferraz, Isolde D. K. e Mendonça Andreza: Óleo de andiroba: processo tradicional da extração, uso e aspectos sociais no estado do Amazonas, Brasil, Acta Amazônica, Vol 37 (3) 353:364, 2007.
Ferraz, Isolde D. K. e Mendonça Andreza: Extração tradicional do óleo de andiroba, Manaus: INPA, 2006, 28 p.il.color 16cm.
Machado Guiera Flavio: A assistência técnica e a extensão florestal no Estado do Amazonas - A experiência da Agência de Florestas do Amazonas - AFLORAM (janeiro de 2003 a maio de 2007), Projeto Floresta Viva - SDS, Manaus, junio de 2008, 143 páginas, 6 970 Ko.
Menezes, Mario et al: Cadeia produtiva dos óleos vegetais extrativos no Estado do Amazonas, Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Série Técnica Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável n°6, Manaus - AM, 2005, 36p., 855Ko.
Plowden, Campbell: The Ecology and Harvest of Andiroba Seeds for Oil Production in the Brazilian Amazon, Conservation & Society, 2, 2 (2004), pp.251-270, 555Ko.
Rizek, Maytê Benicio: A comercialização de óleos vegetais na Reserva Extrativista do Médio Rio Juruá, Carauari-AM: de uma estratégia de “desenvolvimento sustentável” á mercantilização de comunidades tradicionais extrativistas, Trabalho de Conclusão de Curso para a obtenção do grau de Geógrafo, Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Rio Claro -SP, Nov 2006, 74p., 1074Ko.
Schmal Barbara et al: Óleos da Amazônia - os cheiros da floresta em vidrinho, Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea/IBAMA, Brasília, 2006, 32 p., 1018 Ko.
Shanley, Patricia e Medina, Gabriel: Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica, CIFOR, Imazon - Belém, 2005, 23 Mb.
Shanley, P. et al: Frutíferas da mata na vida amazônica, Belém: 1998, 127p.







